Certa noite decidi ir com a minha filha ao shopping, dar uma volta, comer um lanche e deixá-la se divertir naqueles fliperamas, brinquedos eletrônicos e tudo mais. Tomamos um ônibus e chegamos até que cedo. Caminhamos um pouco, comemos e entramos na "loja de diversão".
Na fila do caixa para carregar de créditos o cartão usado nas máquinas de fliperama, havia uma senhora a nossa frente. Ela ficou por um tempo e logo saiu. Na minha vez, enquanto eu decidia com a Dedé quanto gastaria naquela brincadeira, a senhora voltou e interrompeu meu atendimento com uma pergunta para a funcionária da loja: "A Sra. por acaso não viu uma nota de dez reais? Eu acho deixei meu dinheiro aqui...". Depois da negativa da moça, a senhora ainda insistiu: "Ai! Tem certeza? Era o único dinheiro que eu tinha...". Era uma pessoa simples. Notei que estava a com a sua netinha, esperando sentada, num dos bancos da loja. Novamente a funcionária afirmou não ter visto dinheiro algum. Eu não sei bem o que aconteceu, mas me entristeceu ver aquela senhora sentada com sua neta no banco, procurando desesperadamente o dinheiro dentro de sua bolsa - "Filho único", como diria a minha mãe. Adicionei créditos no meu "cartão da diversão", saimos da fila e fiquei observando a mesma senhora enquanto a minha filha desfrutava de um dos brinquedos.
Me lembrei das vezes que paramos em semáforos e somos abordados por pedintes, mendigando moedas. Muitas vezes dizemos que não temos nada e nos apoiamos na desculpa de que "eles vão gastar em drogas, bebidas, cigarros". Verdadeiramente, devíamos nos lembrar daquele trecho da bíblia que diz: "os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos." (1Pedro 5). Minha madrasta me disse algo que não mais deixo de me lembrar nunca: Se Jesus batesse à sua porta pedindo pão e água, você daria a Ele pão velho ou novo? O melhor ou o pior? Jesus está nestas pessoas também.
Diante daquela situação, senti muita vontade de fazer algo. Então, me aproximei e estendi a ela uma nota de dez reais, dizendo: "Senhora, aqui está o seu dinheiro.". Ela sorriu e agradeceu com um "Deus lhe pague, minha filha! Obrigada!". Comentei o acontecido com um amigo e ele ainda me repreendeu, dizendo que a a senhora podia estar querendo tirar proveito de alguém e eu havia sido a vítima. Mas algo me dizia que eu podia ficar em paz, porque Deus é quem irá julgar cada um, separadamente, um dia. Permaneci feliz e segura.
Na segunda-feira seguinte, segui minha rotinha. Trabalhei, fui pra casa, me aprontei para esperar a van que me levaria para a faculdade. Chegando lá, com o trânsito de sempre, estava um pouco atrasada. Caminhei em direção às catracas e tinha algumas pessoas na minha frente, outras vindo logo atrás de mim. A minha surpresa foi encontrar, neste curto espaço e tempo, no chão, uma nota de dez reais, dobrada e limpa. Me abaixei, peguei a nota e fiquei olhando se havia alguém procurando por algo no chão. Ninguém. Todos preocupados em chegar em suas classes ou conversando com amigos, namorados. Em pensamento, orei agradecendo à Deus. Ele estava me devolvendo aquilo que entreguei de coração e com alegria. Estou certa disso.
"E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria." (2 Coríntios 9:6-7.)
Deus está no controle!
Paz no Senhor.

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